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A pele pede socorro: sinais físicos de que o estresse está gritando

Se algo não vai bem por dentro, o corpo dá um jeito de avisar. Veja como identificar e interpretar sintomas de estresse e ansiedade diante do espelho

Seu Corpo / Reportagem Por:
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Não é de hoje que a humanidade sabe que é importante olhar para dentro quando se trata de problemas de saúde. Maimônides, um dos mais importantes pensadores medievais, dizia: “Uma consulta [médica] deve durar uma hora. Durante dez minutos, ausculte [escutar com estotoscopio] os órgãos do paciente, e, nos 50 minutos restantes, sonde-lhe a alma”. Questões internas como estresse, ansiedade e depressão, são verdadeiros gatilhos para diversas doenças. No caso das de pele, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, 30% a 50% dos pacientes apresentam também algum problema de ordem emocional.

A pele é um verdadeiro termômetro e sinalizador de que algo não vai bem por dentro

Maior órgão do corpo humano, a pele não serve apenas como um escudo de proteção contra agressões externas (sol, poluição, vento, resquícios de sujeira, etc). Ela possui inúmeras funções, como regular a temperatura corporal, controlar a pressão do fluxo sanguíneo, além de ter um importante papel na formação do sistema imunológico e na síntese de Vitamina D. A pele é, ainda, o que muitos especialistas chamam de “o espelho da alma”. Um verdadeiro termômetro e sinalizador de que algo não vai bem por dentro. 

“Questões emocionais, como quadros de estresse, podem atuar como gatilho, fazendo com que algumas doenças de pele se manifestem em pacientes geneticamente predispostos. É o caso do vitiligo e da alopecia areata”, diz a dermatologista Lilia Guadanhim, de São Paulo. De acordo com a especialista, o estresse também afeta diretamente o couro cabeludo, que nada mais é do que uma extensão da pele. “Ele pode ser responsável por até 40% dos casos de eflúvio telógeno, um tipo de queda de cabelo”, diz ela.

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Mas, afinal, como se dá essa ligação entre corpo e mente? “Quando passamos por momentos de estresse ou de ansiedade, o nível de cortisol, hormônio da suprarrenal, se eleva muito e isso aumenta os processos inflamatórios do nosso organismo”, explica a dermatologista Valéria Marcondes, de São Paulo. “É um mecanismo de defesa, já que o cortisol age no combate desses quadros de estresse, mas aí surgem as complicações decorrentes desse aumento”.  

Por outro lado, alguns comportamentos causados por um quadro ou momento de estresse também podem afetar a pele. É o caso da chamada dermatite artefacta, uma síndrome psicossomática em que a própria pessoa, muitas vezes sem perceber, gera lesões cutâneas em diferentes graus de gravidade. “É um comportamento de compulsão que leva o paciente a se automutilar, causando machucados e escoriações, muitas vezes profundas, na pele”, alerta Valéria. Entram aí: roer as unhas excessivamente, arrancar as cutículas com os dentes, mordiscar os cantinhos dos dedos até fazer ferida e/ou arrancar o cabelo sem perceber.

Já entre os problemas dermatológicos que surgem de dentro para fora, os principais que podem ter grande influência emocional são: dermatites, alergias, coceiras, psoríase, vitiligo, alopecia, alguns tipos de acne e desequilíbrios na produção de oleosidade da pele. 

Dermatite atópica

É comum entre pessoas que têm alergias respiratórias como asma ou rinite alérgica. Sua causa exata é desconhecida, mas dermatologistas enxergam uma grande ligação com causas emocionais. “Quando os níveis de cortisol aumentam muito, situação que o corpo entende como perigo, a dermatite também piora, causando placas avermelhadas na face, pescoço, joelhos ou cotovelos”, explica Valéria.

Acne escoriada

Uma das consequências da dermatite artefacta que comentamos ali em cima. Os quadros de acne podem não necessariamente ser graves, mas a pessoa cria lesões ao traumatizar a pele do rosto com as unhas, causando machucados erosivos com crostas. Quadros de estresse e ansiedade levam a pessoa a tirar casquinha e até mesmo deixar o local sangrar, causando escoriações e consequentemente manchas e cicatrizes difíceis de tratar.

Psoríase

Doença crônica caracterizada por placas vermelhas descamativas, principalmente nos cotovelos, joelhos e região do couro cabeludo. O estresse deixa o quadro ainda mais grave, bem como o consumo de álcool, fumo, ganho de peso e quedas bruscas de temperatura. “Acontece em pacientes geneticamente predispostos, mas pode ter o estresse como fator agravante, causando a piora das lesões”, diz Lilia.

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Vitiligo

Placas brancas, em qualquer lugar do corpo ou couro cabeludo, formadas por uma despigmentação da pele. “Ocorre em locais que a célula responsável pelo pigmento, que é o melanócito, para de produzir cor. É genético e normalmente nota-se uma piora em situações de trauma ou estresse”, conta Valéria.

Alopecia areata

É considerada uma doença autoimune (quando o sistema imunológico ataca o próprio corpo), assim como o vitiligo. Leva a perda de cabelo em determinadas partes do couro cabeludo, formando áreas arredondadas com ausência de fios. É resultado de tendência genética e quadro de estresse. 

Tratamento não é só atópico

“Quando o problema dermatológico tem fundo emocional, o ideal é abordar ambas as frentes”, explica Lilia Guardinim. Cada doença terá um tratamento específico (podendo incluir medicamentos, pomadas e laser), mas quando há relação emocional é preciso identificar a causa antes de qualquer coisa. Se for possível se afastar dela, faça isso. Dormir bem, seguir uma alimentação saudável, praticar atividades físicas e meditação são algumas estratégias básicas para reduzir o estresse.

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