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Velho não é palavrão

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Em entrevista à Angélica, a antropóloga Mirian Goldenberg fala sobre o preconceito contra o envelhecimento e como podemos lidar com a maturidade de uma maneira mais saudável

Angélica entrevista a antropóloga Mirian Goldenberg sobre etarismo. Você sabe o que o termo significa? Etarismo é o preconceito contra o envelhecimento, também chamado pela escritora e pesquisadora de “velhofobia”, a consequência de uma sociedade que acaba julgando as pessoas nessa fase da vida, como se valessem menos. 

Mirian Goldenberg estuda o fenômeno há quase 30 anos e já lançou vários livros sobre o assunto, sendo o mais recente “A invenção de uma bela velhice” (Ed. Record, 2021). O tema é atual, já que o Brasil está passando por um processo rápido de envelhecimento populacional. Já são mais de 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos, um número em constante crescimento.

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Ao mesmo tempo, o que também aumenta muito no país é a quantidade de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos – especialmente entre as mulheres. Então, se todo mundo adora a ideia de uma vida mais longa, por que ninguém quer ficar velho? Quando, afinal, velho virou palavrão e jovem virou elogio?

Segundo Mirian, no Brasil, o envelhecimento sempre foi visto de maneira negativa, mas nos anos 60 houve uma explosão de juventude: foram os jovens que protagonizaram uma revolução de costumes, a maneira como enxergamos e vivemos o sexo, o amor, o casamento e o trabalho. Para ela, ainda vivemos aprisionados numa visão do século passado, mesmo que hoje em dia os discursos e comportamentos tenham mudado e estejamos envelhecendo mais e melhor. 

“Deixem as mulheres envelhecerem como elas quiserem”

“Na nossa cultura, o corpo jovem é um capital, uma riqueza”, afirma. É importante refletir sobre como essa mentalidade atravessa tanto homens quanto mulheres, mas é inegável que impacta as mulheres em especial. O preconceito diz que homem grisalho é charmoso, mulher grisalha é desleixada, por exemplo. “As brasileiras são as que mais investem tempo, dinheiro e sofrimento para paralisarem o corpo dentro de um modelo impossível.” 

A antropóloga pede, sugere e convoca: as próprias mulheres têm que parar de cobrar as outras mulheres. “Deixem as mulheres envelhecerem como elas quiserem.” Isso pode significar pintar o cabelo ou não, fazer procedimentos e cirurgias estéticas ou não, usar a roupa que sentir vontade. O que importa é ter um amadurecimento saudável, sem novas prisões. “A principal conquista da nossa geração é poder envelhecer com liberdade, poder ser você mesma em todas as fases da vida, mas especialmente no envelhecimento.”

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Para evitar o sentimento de uma espécie de limbo ao envelhecer, além do receio da invisibilidade e desvalorização, Mirian aconselha se manter verdadeira. “É da maturidade também sentir-se mais livre. Cada vez mais sei qual é o meu propósito de vida, como quero usar meu tempo, quais são as minhas prioridades e o que é importante pra mim.” E finaliza: “Temos que combater a velhofobia que existe inclusive dentro de nós e enxergar a velhice com beleza.” Dá o play para assistir a entrevista na íntegra. 

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