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Páginas matinais: um hábito que muda a sua vida

É de graça e você só precisa de papel e caneta. Luiza Voll, especialista em bem-estar digital, lista três motivos para você começar a escrever todos os dias pela manhã - e outro pra não se culpar se não conseguir fazer isso agora

Suas Emoções / Textão Por:
4 minutos

Confesso que sim, me tornei uma das discípulas de Julia Cameron. Para quem não a conhece, ela é a autora do best seller  “O Caminho do Artista”. O livro apresenta uma série de exercícios em uma trilha de 12 semanas que promete resgatar sua vida criativa – e, na minha experiência, cumpre. 

O principal exercício do livro é o de escrever as páginas matinais: o ato de, assim que acordar, escrever algumas páginas (a autora propõe que sejam 3) à mão, seguindo seu fluxo mental. Ou seja, sem pensar muito, apenas colocando no papel o que vem à cabeça, de maneira bem espontânea. 

O hábito começou a ser difundido entre artistas e profissionais criativos, mas se popularizou de tal maneira que ganhou um público muito mais amplo: a obra já vendeu 4 milhões de cópias no mundo. É que as páginas matinais têm potencial de impactarem bem além da sua criatividade.

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Você passa a ter uma postura mais ativa diante do que te incomoda. As transformações acontecem de forma muito mais rápida

Fiz isso por anos, então posso te contar alguns motivos para você adotar esse hábito:

1. Conexão consigo: você visualiza diariamente o que se passa dentro da sua mente

Essa escrita diária não tem obrigação de fazer sentido, ser bela, render likes ou ser um registro histórico. Sabe quando você senta pra meditar e vê os pensamentos brotando sem parar? São eles que vão aparecer no papel. O resultado é que você passa a se ver, coisa que se não pararmos para fazer, podemos passar muito tempo desconectadas de nós mesmas.

2. Expressar incômodos é encarar o que você quer transformar

Se tem algo te incomodando pode ter certeza que isso vai parar no papel. Você então desabafa nas páginas sobre uma questão que te incomoda um dia. Repete a questão em dois, três, quatro até. Talvez no quinto dia você já esteja de saco cheio dessa repetição. E o pior é que dessa vez é de você mesma. Isso talvez faça com que você tenha uma postura mais ativa diante do que te incomoda. Sem as páginas, eu cheguei a passar anos com alguns incômodos. Com as páginas, vi algumas transformações acontecerem de forma muito mais rápida.

3. É uma ferramenta auxiliar à terapia, é de graça e você faz sozinha

A não ser que você seja uma adolescente ou faça muitas sessões de terapia, você não deve ter muito tempo para desabafar com qualidade diariamente. Ao escrever suas páginas você faz isso por si mesma. Com elas, chega afiada na sessão de terapia ou, se não estiver fazendo por qualquer motivo, na minha experiência o simples ato de escrevê-las pode ter um efeito terapêutico.

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É um hábito que vale a pena se esforçar para começar (ou retomar)

4. Se não conseguir agora, tudo bem

Tive a maior disciplina com esse hábito até a chegada do meu filho. Não escrevo minhas páginas com a frequência que gostaria (diária) desde que ele nasceu. E sinto imensamente os efeitos. Tantas vezes me sinto desconectada de mim mesma e arrasto questões que poderiam ser resolvidas por muito mais tempo que deveria. Mas aceito essa condição em paz. Os primeiros anos da maternidade são esse período de abrir mão do controle, de abraçar o caos, não é mesmo? Aos poucos, vou retomando. Me lembro, quando falava das páginas antes de ter um filho e algumas mães me perguntavam: “mas tem que ser de manhã? Com filho não consigo”. E eu dizia que podia ser em qualquer horário. Mas a verdade é que eu mesma não as fiz nem de manhã, nem de tarde nem de noite. Tempo até podia ter, mas e disposição? Ufff.

Desculpe por simplificar a questão, mães, agora sei melhor. Mas também sei que esse é um hábito que vale a pena se esforçar para começar (ou retomar). E é isso que eu vou fazer agora.

* *Luiza Voll escreve sobre tempo, bem viver e sobre o que a internet tem feito com a gente. É sócia da Contente, estúdio de criação que trabalha para promover o bem-estar digital.

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