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Fê Cortez: “Falar do meio ambiente é falar da vida das pessoas”

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Só 3% dos resíduos são reciclados no Brasil e a questão do lixo é um problema ambiental complicado. Para falar sobre isso, Angélica recebe a ativista ambiental Fernanda Cortez

Você tem ideia de quantos copos plásticos, garrafas plásticas e sacos plásticos usou e jogou fora só este ano? Esse estilo de vida cheio de descartáveis que a maioria dos seres humanos leva há algum tempo acaba poluindo os rios e mares, afetando a vida marinha e, consequentemente, também a nossa. Para tentar reverter isso de alguma forma, a ativista ambiental Fernanda Cortez criou o movimento Menos 1 Lixo. É ela a convidada da Angélica desta semana. 

O movimento nasceu em 2015, como uma forma de conscientizar as pessoas sobre o papel delas na hora de fazer escolhas de consumo. O documentário Trashed – Para Onde Vai Nosso Lixo, lançado em 2012, foi o gatilho para que ela decidisse agir.  “Foi um filme muito difícil de assistir, não conseguia ficar parada na cadeira, e perceber que aquele lixo ali também era resultado do meu cosumo”, conta. Nessa inquietação, Fernanda foi pesquisar ainda mais sobre o tema e percebeu que as informações acabavam ficando restritas ao meio acadêmico, entre ambientalistas. “Falar de meio ambiente é falar da vida das pessoas. Então deveria ser um assunto discutido por todo mundo.” 

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Fernanda também lançou recentemente o livro Homo Integralis: Uma nova história possível para a humanidade, uma proposta para que o ser humano volte a agir de forma integrada à natureza e não desconectado dela. “Nós somos a natureza”, afirma.  A obra chega em momento oportuno com tantas notícias escancarando como o meio ambiente vai de mal a pior, nos causando eco-ansiedade e a sensação de que não tem como reverter esse quadro. 

Só 3% dos resíduos são reciclados no Brasil

“De acordo com estudos científicos, a gente ainda tem uma agenda de 10 anos para mudar a forma com que a gente se relaciona com a natureza e o que a gente chama de recursos”, explica. O tempo pode parecer pouco, mas Fernanda explica que é o suficiente para mudar a nossa rota e construir um novo futuro. “Precisamos nos enxergar de um outro jeito, mudar os nossos hábitos, o nosso consumismo. E também entender que a gente faz parte de uma comunidade maior.”

Angélica e Fernanda destacam que o lixo não desaparece quando sai da nossa casa. Ele segue existindo na Terra – ocupando espaço e poluindo. Para se ter ideia, só 3% dos resíduos são reciclados no Brasil. “A primeira coisa que a gente precisa é reduzir”, explica a expert. Hábitos como dispensar o saquinho do lixo do banheiro e as múltiplas sacolas no supermercado e na feira podem ser o início dessa mudança. “Quando você toma a decisão de eliminar um resíduo da sua vida, você muda a sua lente e começa a repensar o todo”, garante.

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