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Equilibrar a energia sexual é se apropriar de você

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Quem disse que Yoga é silêncio e calmaria? Angélica recebe a instrutora de Kundalini Yoga, Juliana Menz, para falar da prática que atrai cada vez mais adeptos recorrendo a gritos, quebra da repressão sexual e canalização da raiva

A Yoga tradicional geral conhece, mas já ouviu falar da Kundalini Yoga? A prática que não é tão difundida no Brasil consiste numa espécie de meditação. Aqui, a Ju Menz, instrutora brasileira, criou uma Kundalini que mistura a prática tradicional com o Tantra, que equilibra a nossa energia sexual. O método busca liberar nossa energia reprimida de uma forma intensa, para todo mundo sair transformado do tapetinho.

“A Kundalini é uma energia vital que fica adormecida na base da nossa coluna e muitas pessoas passam anos sem trabalhar”, revela a especialista. Segundo ela, é lá onde mora nossa essência, o que somos de verdade. “Por isso a Kundalini é considerada a mais espiritual das práticas de Yoga.”

Uma mistura do Kundalini tradicional com o Tantra libera nossa energia reprimida de forma intensa

Na equação das misturinhas, Ju colocou o Kundalini convencional com exercícios de respiração, mais o Tantra Yoga que traz uma liberação de energia no corpo e o exercício de trabalhar a nossa raiva. Embora o Tantra seja estereotipado como algo sempre vinculado à prática sexual, é importante não se fechar nessa perspectiva. “Quando falamos dele, parece que você vai para uma suruba, quando na verdade é uma liberação sexual de você parar de sexualizar tudo. Trata-se de uma filosofia milenar que propõe a expansão da consciência”, explica. 

A instrutora observa que muitos alunos ao entrarem na aula não possuem dimensão das energias que são de fato trabalhadas, mas depois conseguem ter mais clareza do que querem. “A energia sexual trabalhada pode ser usada para absolutamente tudo, para atingir objetivos, ter aceitação, se apropriar de quem você é.” Especialmente entre alunas, Ju observa que a técnica ajuda muito as mulheres a saírem de um lugar de “escolhida”, para uma outra posição de quem sabe o que quer e escolhe.

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Uma pesquisa recentemente mostrou que só 65% das mulheres heteressexuais nas suas relações sexuais, gozam. O número é mais animador entre as mulheres lésbicas, que chega a 86%. Ju é questionada se o Tantra pode ser um empurrãozinho nesse fator. “Sem dúvida, ouvi muitos relatos. A grande maioria das mulheres não gozam mesmo  com os parceiros de longa data, e o Tantra não vai te fazer virar uma deusa na cama, mas vai fazer você se aceitar.” Essa aceitação, quando sai da teoria e vai para a prática, é transformadora. Pura ação e reação: a consciência do corpo e a entrega ao momento levam à conexão com o prazer, bem mais plena.

“A energia sexual trabalhada pode ser usada para absolutamente tudo”

Ao ser parada por uma vizinha sobre ser “aquela vizinha que grita”, Ju achou que seria encrenca na certa, quando na verdade a colega de porta só queria poder berrar também. “A vontade veio depois de perceber que eu estava há anos tentando agradar o outro e o quanto era frustrante, porque eu nunca conseguia! O grito veio muito disso.” Para a instrutora, é um grito ancestral, que veio de outras gerações e que nos liberta. O extravaso é tão importante quanto o estado meditativo, para que, depois, você atinja o equilíbrio na vida real. “Na aula, quando não tem grito, os alunos cobram.” Fica o convite para gritar mesmo, botar as emoções para fora, sem limites, num ambiente seguro e uma dinâmica guiada, para poder canalizar as energias e se sentir melhor.

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