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Educação financeira deve ser acessível para todos, defende Nath Finanças

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Angélica recebe Nath Finanças, jovem carioca de 23 anos que é um sucesso nas redes sociais que fala sobre educação financeira com dicas simples e valiosas

Boletos, dívidas, cartão de crédito, nome negativado na “praça”. Quem não sonha ter a vida financeira no azul que lance o primeiro cartão de débito. Desde 2019, a educadora financeira Nathália Rodrigues, mais conhecida como Nath Finanças, faz sucesso nas redes sociais dando dicas fundamentais de como ter uma educação financeira para todos e sem complicações e receitas milagrosas. Angélica bate um papo descontraído com a carioca sobre as maiores dicas de finanças e dificuldades que os brasileiros enfrentam quando o assunto é dinheiro. 

“Falar de educação financeira é essencial neste momento difícil da economia”

Em uma época tão difícil com achatamento de salários, inflação nas alturas e desemprego, o canal da Nath no YouTube ganha ainda mais relevância, até mesmo para a saúde mental, já que ninguém dorme tranquilo com os boletos vencidos. “Falar de educação financeira é essencial neste momento difícil da economia, porque mais do que nunca temos que entender os nossos gastos para não virar uma bola de neve. Então falo de economia para gastos reais, a economia doméstica”, diz a especialista.

Com os amigos mais próximos, falamos de tudo – amor, sexo, família –, mas quando o assunto é dinheiro, a chavinha muda. “É um tabu, porque contar sobre salário, sobre situação que você compra algo, você tem sempre o medo de ser julgado”, diz. Nath acredita que o salário mínimo atual também influencia nisso, já que o valor não dá para pagar as contas com tranquilidade e, sim, para sobreviver com o mínimo. 

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A educadora ressalta que quem cresce numa família que passa por dificuldades financeiras, entende que dinheiro não é para ela. “Quando aquela criança completa 18 anos, a primeira coisa que ela recebe é um cartão de loja. Assim ela acaba se endividando e entra em um ciclo vicioso. Por isso é importante a educação financeira”, enfatiza.

No mundo do mercado financeiro, dominado por homens, brancos e mais velhos, Nath, uma mulher negra e jovem, chegou chegando. “Quando eu comecei a estudar finanças pessoais, eu trabalhava fazendo cartão de loja e foi na faculdade de administração que aprendi a falar sobre educação financeira de maneira acessível”, relembra. Procurando o assunto na internet, a educadora financeira confessa que rolou uma frustração ao ver poucas mulheres falando sobre o assunto. “Colocaram nós, mulheres, como gastadeiras.  Falam que vamos comprar só coisas fúteis, bolsas. E não é isso: mulheres sabem guardar dinheiro. Fazem uma economia doméstica e vocês acham que elas não sabem organizar as finanças?”, questiona. 

“A liberdade financeira emancipa”

Angélica questiona qual é o erro mais comum quando o assunto é dinheiro, e a educadora responde que é não anotar o que está entrando e o que está saindo, mas é tudo uma questão de costume. “Escolha um dia da semana para isso. Sempre escolho a sexta-feira, tiro de dez a quinze minutos do meu dia ali. É um hábito, é colocar na sua vida que você tem objetivos, que quer realizar os seus sonhos, porque a liberdade financeira emancipa”, ressalta Nath.

Quem já recebeu um cartão de crédito com o limite mais alto que o seu salário sabe que isso passa a falsa sensação de riqueza, o que pode acabar complicando tudo. Mas Nath garante que o cartão de crédito em si não é mocinho, nem vilão, é preciso saber usar. “A dica é: espere acabar um parcelamento para começar outro. Assim você não acumula parcelas. Afinal, o dinheiro [do cartão de crédito] não é seu, é do banco, ele te empresta e, se você deixar de pagar, ele vai cobrar juros.”

E será que dinheiro traz felicidade? “A falta dele é que traz tristeza, perdas, dores… Ele não compra felicidade, mas possibilita momentos dela em nossa vida”, encerra.

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