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O que é Neurocosmética?

Está cientificamente provado: seu creme pode impactar no humor, muito além da alegria de ter uma pele mais bonita. Entenda como funciona a Neurocosmética, nova tendência na indústria de skincare

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Já reparou que, quando a gente passa um creme no corpo, a textura, a fragrância e o toque na pele despertam nossos sentidos e a gente sente uma sensação gostosa? Essas emoções têm um impacto significativo na nossa saúde e bem-estar. Isso acontece porque a pele, considerada o maior órgão do corpo humano, está diretamente ligada ao sistema nervoso.

A pele tem a função de proteger contra agentes externos e uma grande capacidade sensorial. Ela produz hormônios responsáveis por diversas atividades celulares, como controlar a temperatura, além de absorver substâncias e até ajudar a nossa imunidade. As inúmeras terminações nervosas são verdadeiros receptores de estímulos e adaptam nosso corpo às condições externas. Por isso sentimos frio, dor, coceira, arrepiamos, ficamos com as bochechas coradas ou pálidas. 

A pele, considerada o maior órgão do corpo humano, está diretamente ligada ao sistema nervoso

A indústria cosmética soube muito bem como usar tudo isso: há alguns anos, produtos são lançados com fragrâncias e texturas pensadas e desenvolvidas justamente para gerar essas sensações na gente. Inclusive, segundo uma pesquisa realizada pela Avon, durante a pandemia, os produtos de beleza tiveram um papel emocional para a maioria das mulheres, como aliados para aumentar a sensação de bem-estar e o autocuidado diante do aumento da ansiedade e depressão.

Lambuzada de endorfina

Talvez você já tenha estranhado ver ingredientes como a endorfina (um dos hormônios da felicidade) no seu creminho. Eles são frutos da Neurocosmética, uma fusão entre Cosmetologia e Neurologia, e que vem se popularizando ao criar produtos que fazem a comunicação entre pele e sistema nervoso. Sim, é verdade: seus cosméticos podem ter um efeito no cérebro e por isso, podem agir no seu humor, além da beleza.

Pra quem acha que é magia, vai a explicação, porque é ciência mesmo: os ativos adicionados aos neurocosméticos estimulam a síntese e a liberação de neuro-hormônios que impactam no nosso humor e promovem ações calmantes ou estimulantes, e reduzem reações inflamatórias. “A indústria cosmética brasileira vem, cada vez mais, inserindo os ativos neurocosméticos associados aos mais diversos tratamentos de pele”, explica Juliana Doval, fisioterapeuta dermato funcional, especializada em cosmetologia aplicada a estética.

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Esses ativos têm ação neurossensorial, como a Endorphin® (que estimula a produção de β-endorfina) e neuroprotetora, como o Neuroxyl® (que repõe os neuropeptídeos, atuando no sistema neuronal da pele), como mostra a pesquisa “Neurocosméticos: a cosmetologia a favor do bem-estar na terceira idade”, de 2016, que tem Juliana como uma das autoras.

Sim, é verdade: seus cosméticos podem ter um efeito no cérebro

É uma tendência de mercado. “A neurocosmética ainda vai ser muito mais explorada”, aposta Giulio Peron, CEO da Feito Brasil, que tem um neurocosmético em seu catálogo, a Goiabada Hidratante. O hidratante promete promover uma sensação imediata de relaxamento após a aplicação.

“É importante lembrar que os cosméticos são de uso tópico e não fármacos, mas eles induzem a produção de hormônios. Os ativos presentes no nosso produto estimulam a produção da β-endorfina via queratinócitos (células da pele que contêm queratina) através do contato com a pele”, explica Bruna Salomão, química responsável pela Feito Brasil.

Outras marcas nacionais com produtos desenvolvidos a partir da neurocosmética, são o Balm CB2, da Simple Organic, que conta com um complexo de óleos da Amazônia, como a copaíba, que se equipara ao CBD e é rico em β-cariofileno, ativo responsável por diminuir a atividade inflamatória da pele e aumentar a presença de β-endorfina, que gera sensação de bem-estar, relaxamento e conforto. “Esse produto é comprovadamente um neurocosmético. É um marco de inovação para nós”, diz Tatiane Rocha, gerente de produtos da Simple Organic.

Segundo Juliana Doval, não há contra-indicações para o uso desses produtos, mas é preciso sempre analisar corretamente as necessidades da pele para fazer as melhores escolhas. É aquela velha história: se você se sente bem, a pele fica boa. E, se a pele tá boa, você se sente bem.

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