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A mudança é a força do universo

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Em sua estreia como colunista na Mina, Carolina Dieckmann nos propõe a embarcar com ela: dizer sim, cair e levantar, experimentar, enfim, encarar a mudança

Mas que diacho estou fazendo aqui?
Tenho me feito essa pergunta mais do que jamais imaginei.
Não que isso seja ruim,
e acho mesmo que não é,
mas tem muito significado,
e é sobre isso que quero falar.

Quantas vezes dizemos não a possibilidades
simplesmente porque não conhecemos o caminho?
Ou, o que nos faz escolher esse lugar desconfortável e arriscar?
Eu reconheço, vasculhando minha própria biografia,
que instintivamente, isso nunca me parou;
desde cedo, a vida de ginasta me ensinou a cair.

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Aos dez anos,
uma casa que pegou fogo por inteiro,
me fez entender
a paulada de carvão,
a impermanência das coisas.
Dali em diante, meu destino foi seguir a lei da corda bamba;
de estudante a modelo, sem altura ou experiência,
de modelo a atriz, com menos consciência ainda sobre o que fazer,
e ultimamente, de atriz
a qualquer coisa que me faça feliz.

ilustração de Carolina Dieckmann
ilustração de Carolina Dieckmann

Tipo isso aqui!
– Você quer ter uma coluna?
Surgiu no outro lado da tela…
De cara,
o ‘não’ me parece sedutor.
Mas…
Por que não?
Tenho me sentido cada vez mais atraída pela ideia de que
todo mundo tem algo a dizer.
A experiência humana,
por mais solitária que comece,
ou termine,
faz mais sentido quando é compartilhada.

A realidade – já disse a física quântica –
só existe assim: assistida.
Então, por que não dar o meu ponto de vista?
Estar vulnerável
é o único abrigo possível a todo qualquer novo passo,
é o jeito de estar de peito aberto no mundo.
E a gente só se sente assim,
apostando alto,
pisando fundo.
De repente, eu volto para a pergunta que apareceu na tela,
que, de quebra, deu start nessa montanha russa:
– Um espaço com tudo que você quiser: texto, ilustração, áudio, poesia…

–  Sim!
Sendo assim,
venho por meio dessa estreia
(meio autobiografia, meio autoajuda, sem fins lucrativos),
propor a mim mesma,
e também a você que me lê,
a sair correndo da sua zona de conforto,
(ainda que ela já não pareça tão confortável assim),
em busca de um novo sol.

O que você acha de me dar as mãos?
De dizer sim pra próxima coisa que te parecer louca.
De mudar, ainda que pareça tarde.
De adicionar algo na sua ‘bio’
– ou pros cringes – curriculum vitae?
De surpreender.
De fazer alguma coisa pela primeira vez.
De tentar pela segunda.
De insistir pela enésima.
E de cair,
só pra ter o prazer que nos foi apresentado
desde que somos bebês de um ano tentando andar…
levantar!

Com tanto que tem acontecido,
até o mundo parece estar a fim desse tipo de risco.
Nada será como antes,
nem fora, nem dentro,
quer você queira, ou não.

A mudança é a força do universo.
E se você
chegou até aqui,
te ofereço minha alma lançada no espaço,
com tudo isso misturado,
pra falar do que eu sei que me toca
(e o que vamos descobrir juntos)
sobre sentimento e emoção,
esse duo que tem norteado minha existência
desde que eu entendi que nasci.

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