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Maternidade não é uma só: 10 livros para explorar diferentes experiências maternas

Não existe fórmula secreta para maternar, mas ter algumas referências é sempre bom, especialmente num mundo com tantas possibilidades. Sinta-se reconhecida e acompanhada por essas leituras - mesmo se você não é mãe

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Ser mãe é lindo, dá trabalho, é gratificante, é desafiador, é para sempre. E ainda tem gente que diz que mãe é tudo igual, só muda de endereço. Será mesmo? Da mãe solo à mãe de cinco, passando pela mãe profissional, a mãe velha, a adotiva, a rebelde, a dura, a preta, a coruja, a branca, a lésbica, a super mãe: quem vive a maternidade deve concordar que maternar é, sobretudo, um experiência plural. 

Em um contexto de invisibilidade e pouco reconhecimento, é quase uma tarefa revolucionária e, por vezes, mais solitária do que gostaríamos que fosse. Livrar-se das amarras do mito do amor materno, devoto, contido no silêncio e no ambiente doméstico, é o primeiro passo para revelar um mundo divertido e dinâmico, capaz de impulsionar nossa criatividade, estabelecer novas conexões e formas de ver a vida. E isso é tudo que o patriarcado não quer, mulheres à vontade exercendo os papéis que desejarem.

Nos sentir confortáveis com as escolhas que fazemos pode ser mais fácil quando nos conectamos a outras mulheres e histórias. Para isso, reunimos alguns títulos para quem quer refletir sobre esse campo complexo e vasto que é a maternidade  ou para quem  precisa de uma ajudinha para encontrar sua própria voz materna. 

Bem-estar e maternidade podem (e devem) caminhar juntos.

Livro Maternidades no Plural

Maternidades no Plural: Retratos de Diferentes Formas de Maternar
Deh Bastos, Glaucia Batista, Ligia Moreiras, Marcela Tiboni, Mariana Camardelli, e Annie Baracat.
Companhia das Letras. 352 pp. R$ 64,90
O livro abre alas da lista não poderia ser outro. Ele fala sobre as diferentes formas de maternar ao nos apresentar o relato das experiências maternas de suas seis coautoras. Maternidade homoafetiva, racismo, maternidade por adoção, maternidade atípica, maternidade solo, madrastidade e trabalho são alguns temas que permeiam essas narrativas.

Livro Maternidade não tem Cor

Maternidade tem cor? Narrativas de mulheres negras sobre maternidade.
Luara Paula Vieira Baia 
Appris. 173 pp. R$ 49,00
O livro lança um olhar singular sobre a experiência da maternidade a partir do marcador racial. As singularidades do maternar das mulheres negras são apresentadas sob o olhar de seis mães. Cada uma delas nos transporta para um ambiente plural e dinâmico pouquíssimo explorado pela bibliografia brasileira. São cenários que se contrapõem à precária imagem da “grande mãe preta”, figura fundamental da falsa democracia racial. Nele, o mito da mulher negra forte que dá conta de tudo e todos é colocado em xeque.

Livro O filho Antirromântico

O Filho Antirromântico: Uma história de alegria inesperada.
Priscilla Gilman 
Companhia das Letras. 352 pp. R$ 54,90
O casal de especialistas em literatura inglesa ficou maravilhado quando o primogênito, aos dois anos, começou a ler livros inteiros. O livro é um relato poético da mãe sobre o diagnóstico de autismo do seu primeiro filho. Trata da memória do impacto que provocou nas relações familiares e no seu modo de ver o mundo. A tônica do relato, atravessado pela poesia do poeta inglês William Wordsworth, é a morte da visão romântica sobre um filho e a construção de uma inesperada alegria.

O livro Meu Primeiro Livro

Meu Primeiro Livro
Júlia Bock, Lia Bock, Vanina Batista
Companhia das Letras. 64 pp. R$64,90.
O primeiro diário do bebê sem gênero do Brasil. Além disso, o misto de diário e álbum de fotos foi pensado para todos os tipos de família. Onde antes só havia espaço para “mamãe e papai”, vem com opções de “mães” e “pais”, contemplando famílias homoafetivas. O clássico “fotos do nascimento” dá espaço ao “o dia que você chegou”, para incluir famílias formadas pela adoção. Um jeito de lembrar das coisas, registrar memórias até quando tiver inspiração desenhado para famílias de todas as formas, tipos e tamanhos.

Livro Pai e Mãe de Verdade

Pai e Mãe de verdade
Guilherme Lima Moura e Cintia Andrade Moura
Juruá. 102 pp. R$59,90
Esse é um livro escrito por um pai e uma mãe adotantes que acreditam que a atitude de adoção é que nos conecta a nossos filhos, biológicos ou não. Contra o caráter biologizante postulado sobre o amor materno, Guilherme e Cinthia desenham uma teoria da “atitude adotiva”. Para eles, a parentalidade adotiva não difere das outras já que o amor de quem ama os filhos não chega pela via do corpo. “A gravidez é apenas um ponto de partida. Nem imprescindível, nem suficiente.”

 

Mamãe desobediente: Um olhar feminista sob a maternidade
Ester Vivas
Editora Timo. 288 pp. R$ 75,00
O livro da escritora espanhola é uma convocação à rebeldia materna. Um grito frente aos múltiplos silêncios da maternidade, sua compulsoriedade e o ideal de super-mãe. Nele, são trabalhadas a dor da perda gestacional e da violência obstétrica. Além disso, é tematizada a lactância materna e o lucrativo negócio dos leites artificiais. O livro reivindica um olhar feministas para a maternidade convocando a todos, já que cuidar deve ser uma tarefa coletiva.

Livro Névoa e Assobio

Névoa e assobio 
Bianca Dias
Relicário Edições. 96 pp. R$65,00
“Um livro para Caetano, um livro para falar, tratar pela palavra a potência do vazio”. Nele a autora percorre o caminho do luto após a morte prematura do filho, falecido com cinco dias. O livro de folhas grossas, lombadas costuradas, e imagens de desenhos e bordados, cujo avesso se vê no verso das páginas, deixa palpável como a dor é transformada em potência e arte. “Escrever até não mais sangrar”, são palavras da autora. O livro foi finalista no Prêmio Jabuti de 2016 na categoria ilustração.

Livro Mama

Mama: um relato de maternidade homoafetiva
Marcela Tiboni
Dita Livros. 377 pp. R$ 58,90
A autora trata de forma leve, mas sem abrir mão da militância, dos caminhos da maternidade homoafetiva. O que começa com um relato de amor lésbico vai se transformando em um diário de bordo sobre fertilização in vitro (FIV), lactação induzida e gestação gemelar. Tudo isso em um movimento que parece alertar ao mundo que famílias homoafetivas, a despeito do patriarcado e suas lógicas heteronormativas, existem. Leitura fundamental para qualquer mãe que pretende fazer do mundo um lugar mais plural e diverso.

O livro Lili

Lili: Novela de um luto
Noemi Jaffe
Companhia das Letras. 112 pp. R$ 39,90
Um livro sobre luto materno na perspectiva de alguém que se despede da mãe. Com honestidade visceral, a autora tece um relato profundo dos primeiros dias posteriores à morte de sua mãe, Lili Jaffe (sobrevivente de Auschwitz), aos 93 anos. Entre doces, tortas e receitas, a história não é apenas sobre a morte, mas sobre permanências. “As coisas revestidas de morte são também as coisas revestidas de vida”. A escritora mergulha fundo para descobrir a falta em si que a morte da mãe provocou. Nesse processo, página por página, vai se fundindo à figura da mãe, uma resposta possível para o fim do luto.

Maternidade

Maternidade: um romance
Sheila Heti
Companhia das Letras. 312 pp. R$ 67,90
A maioria dos livros que falam de maternidade começam com o nascimento de um bebê. Nesse, o bebê não nasce. O livro de Heti é um ponto de vista interessante a ser considerado, o das mulheres que por opção decidem não ter filhos. Sabemos que uma mulher sem filhos é considerada muitas vezes egoísta, desviante ou, na melhor das hipóteses, uma coitada que irá amargar no arrependimento. No relato autoficcional, a autora nos coloca frente a essa decisão que sempre chega na vida da grande maioria das mulheres.

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